segunda-feira, 27 de junho de 2011

Saudade Por Simone Bertrand & Mento Leão


Saudade.  
1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las.
2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido.

Pra mim é esse aperto no coração que não parece querer suavizar, é essa vontade incontrolável de poder ficar só mais um pouco com você. É essa vontade tão grande de você que começa a me fazer delirar, sentir teu cheiro sem estares aqui, sentir tua presença mesmo quando estás tão longe, fechar os olhos e ouvir tua voz, daquele jeitinho tão manso e que me acalma fácil fácil, e quando abro meus olhos a procura de ti, não te encontro aqui, então tudo volta a ficar vazio, sem vida. Sem você.


procurei em mina mente uma tanto cansada pelo inexorável tempo palavras que pudessem te surpreender tanto quanto o fui  nesta noite de quase inverno, sem chuva, sem vento. Vou o mais longe que posso, procuro o mais profundo que consigo e nada! Nada me faz ter coragem de falar algo que você já não saiba. Fico aqui girando em círculos, como inseto em volta da lâmpada acesa, seduzido, totalmente encantado pela luz, pelo som, por teu amor... 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Corações Acelerados Por Mento Leão

Hoje é um dia especial, mais um dia em minha vida, por isso mesmo mais do que nunca, especial. E por ser tão especial gostaria de dividir contigo. Hoje é o melhor dia de minha vida e você faz parte disso...Sempre fez e hoje as horas clarificaram ou cristalizaram o que sinto. Queria tua voz aqui junto ao meu ouvido, queria teu coração batendo descompassado por simplesmente estar ao meu lado, queria sentir teu perfume...E quem sabe poder confessar ou demonstrar tudo o que me fazes sentir. És apaixonante, sedutora, mulher, quase alguém inatingível, mas ao mesmo tempo és doce feito algodão doce, suave feito brisa de uma manhã de domingo...Hummm, mas ouso a pensar que tudo isso é apenas fascínio aparente. Que você nem ousaria a olhar para mim com os olhos que tanto te desejo...E enquanto isso as horas bailam no relógio da cozinha...Elas simplesmente me fazem lembrar que mais um pouco e tudo isso deixará de ser um desejo...que tudo isso deixará de ser domingo, deixará de ser apenas você...Tenho medo! Não quero seus comprimidos, não quero seus males, não quero ficar na cama e não quero, realmente, não quero mais me sentir tão só...Hoje é um dia especial...


domingo, 17 de abril de 2011

Um Coração Em Chamas by Mento leão

Tenho tanto para te dizer, mas tem de ser face a face. Tenho tanto para explicar ou não, mas precisa ser olho no olho. Você sabe que não gosto de mentir para ti. Você sabe que não consigo segurar uma mentira diante de ti. De ti, tenho saudade, mas também tenho medo, tenho desejo de descanso, às vezes e mais algumas vezes quero o silêncio... Que tua presença me trás. Tu és mais...Tu és Luz... E escuro... O andar a beira do abismo. Não tenho tanto assim para te dizer, vai ver são apenas palavras coloridas de sangue e brancas nuvens. Mas não posso te deixar a margem... Preciso de você inteira e ciente de que não presto. 
Não tenho a chave da gaiola, pois ela nunca foi fechada... Os pássaros estão sempre livres, você está livre e bem você sabe que não é do meu feitio tentar prender ou iludir alguém...


Sou o que sou... Mas não finjo quem não sou e tu bem sabes. Quero que alguns lembrem de mim, é verdade... Quero e preciso de atenção, mas não a custa de lágrimas... Nada vale mais a pena do que sentir que me querem bem. Mas não tenho como e nem preciso te enganar. Sinto a madrugada chegando, ela bem sabe o que as horas podem me fazer. Tenho tanto para te contar, histórias e segredos... Mas principalmente te contar que tenho saudade do teu silêncio. De tua presença, mas também de tua ausência. Não há nada a ser prometido que não possa ser quebrado, nada quebrado que não possa ser concertado... Mas no fim é apenas você... Sempre você... E tu bem sabes a verdade desta noite, daquele dia, deste tempo, daquele momento.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Canção de um Adeus Por Mento Leão

Continuo a te fitar... Tenho cá dentro do peito a mesma certeza de quando te conheci. Mas estou aqui, apenas a te observar...Sei que sou poderoso, que posso construir e destruir pessoas, mas não você. Você não igual a mim, você nem se parece comigo...Hummm, talvez às vezes, mas você é uma dessas histórias que me faz querer viver de novo... Reconstruir o caminho e ir em frente...Sempre em frente, pois não há tempo a perder. Sempre contigo...Sempre...



Há uma estranha e fria chuva insistindo em cair, lá fora. Parece querer levar para longe os medos que chegam com a nova aurora...Parece querer lavar a saudade que ainda nem existe, mas que sabemos virá esfomeada, devorando os minutos, as horas. Sei que não sou o que tu mereces, talvez jamais o seja. Sei também que tu não estás certa sobre coisa alguma nessas horas incertas...Mas o por que das lágrimas? Elas servem apenas para alimentar essa chuva fina que cai, lavando teu rosto e me dizendo que a vida ainda está no começo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

FANTASMAS Por Catherine Dorléac & Mento Leão

De todos os fantasmas você é o que me causa mais medo, ela disse enquanto soltava o cabelo loiro feito de raios de sol e com aquele sorriso que seduzia ao primeiro olhar jovens imaculados e velhos tarados. Assim ela estava a vontade, madrugada a dentro, insônia, algumas pílulas, algumas doses de vodca... Ela estava quase dormindo... Ledo engano, ela está mais acordada do que de costume. 
Hoje, agora, quero o nunca, ela disse de forma lacônica... Mas nada que aconteceu deve ser visto como algo inútil, quando foi uma escolha pessoal. O excesso não pode ser encarado depois como algo injusto ou culposo... Não há fantasmas essa noite... Apenas palavras dançando no escuro do quarto enquanto uma canção insiste em desafiar o silêncio da madrugada... E machuca, dói tanto... Mas não desista de mim... Não desista nunca. Hoje não haverá uma segunda chance, ela com seus cabelos de raios de sol saberá conter os velhos desejos, mais uma vez.

                                                

Hoje estarei a salvo... Hoje estarei longe dos fantasmas. E a vida que passa... E nossa história que acabou, mesmo antes de começar. E esse sabor meio amargo, meio doce que insiste em tentar me induzir a gritar teu nome... Bobagem, hoje apenas é mais uma noite sem você. Aliás iguais a tantas outras... Apenas fantasmas bailando pelo quarto escuro... Chega, vou dormir antes que os pássaros cantem.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ópio Por Simone Bertrand & Mento Leão

E por vezes a cadeira permaneceu vazia, a cama permaneceu vazia, minha vida assim também permaneceu por mais tempo que nem mesmo eu sei precisar o quanto. Mas ele sempre volta ao mesmo lugar, assim como o criminoso que não resiste a mórbida sensação de relembrar os momentos finais de sua vítima voltando ao local de seu feito. Ele, também não resiste, também se deixa levar pela inebriante sensação de prazer de encontrar meus braços abertos esperando seu frágil coração e sua alma em chamas... Rende-se fácil aos encantos e ao ópio de meus olhos, de meu sexo, de minhas canções... Ele sabe que no final tudo volta ao mesmo lugar e que não há como escapar do labirinto, de minhas curvas sinuosas, das palavras tortas, retas ou levianas. E o suor sagrado é bem melhor que as lágrimas quando a dor bate a porta. Eu sou porto, sou norte, sou o fim e o começo... E quando ele pensar em alguém, pensará em mim! Ele sai a caça... Voa alto em busca da melhor presa, do melhor momento... Ele apenas busca se sentir bem, mas ele sabe quem por fim o torna melhor, quem por fim o edifica, o constrói, o alimenta de verdade. E para aqueles que acham que isso não se deve dizer ou mesmo pensar...Vou avisando: Apenas quem vive completamente entregue sabe do que estou falando. Não preciso de julgamento, não preciso de comiseração, preciso apenas do meu ópio... Assim como ele precisa também!


Mesmo que minha alma um dia encontrasse a paz e meu frágil coração pertencesse a luz, lutasse em vão, mesmo que meus amigos, que agora são apenas fotografias amareladas se tornassem imprescindíveis novamente... Mesmo assim eu ainda voltaria para teus braços... ainda ficaria inebriado... Que a noite venha com suas luzes frias... Que a dor volte depressa, pois tenho para aonde ir... Tenho o porto, tenho o norte e todas essas vozes cessarão... Não há mais o que se possa dizer que já não tenha sido dito... As esquinas me esperam... mais uma vez... De novo... A noite todas as cidades são iguais, toda dor é passageira e toda alma é sorrateira.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Absurdo Por Simone Bertrand

Corro diariamente para a minha morte, com alegria e esperança de que  algo belo e desconcertante aconteça e impeça o impossível de acontecer. Corro todos os dias ao mesmo trabalho sinuosamente igual, dia após dia... Normal, lutando para sobreviver. E quando alguém percebe, por um breve momento essa sandice, esse absurdo, dou de ombros e me afasto rapidamente. Não tenho tempo a perder, tenho tanto a fazer... Mas para que mesmo? Essa vida é totalmente fora de propósito... Acho que ficarei agarrada aos pés da cruz... Assim terei algum tipo de alento... Terei? 
Não preciso fazer isso... Mas para que servem os segredos, se não para serem revelados? Para que serve a vida, se não para ser vivida? E depois, bem, depois quem sair por último apague a luz. Quem você acha que vai ficar? Quem você acha que ainda não traiu a alguém ou a si mesmo? E o que muda? Nada! Ainda estaremos fugindo desesperadamente para o fim. E o absurdo é que eu, ele e mesmo você ainda estaremos indo para o mesmo lugar, acreditando nas mesmas idéias que nos fazem aceitar o absurdo, de viver, sempre repetindo a velha ladainha, já amarelada pelo tempo, desgastada, oxidada pelo vento. Queria que pelo menos as palavras continuassem amigas... Mas isso é outra bobagem, palavras não são amigas, simplesmente elas roubam de ti a alegria e a esperança de que algo belo e desconcertante aconteça e impeça o impossível de acontecer.


E no fim, tudo é como uma bela canção... Trilha sonora do desperdício, da corrida absurda junto ao precipício...


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Naturalmente Por Simone Bertrand & Mento Leão

Acontece sempre. Ele e sua voz mansa, de boa dicção, às vezes de baixo calão outras não. Vem e vai de maneira suave de mente aberta corrompendo a mediocridade, oxidando as estruturas e por fim se deixando vencer... Cantando pequenas canções esquecidas, pequenos atos de peças perdidas... Em fim ele está aqui ao meu lado. "Tudo o que sempre quis foi tudo" e enquanto ele quiser estarei aqui, pois a liberdade é a melhor droga que alguém pode consumir... Nada mais importa quando se é livre! E mesmo que alguns se percam pelo caminho achando que isso não faz sentido... Paciência, as palavras, hoje não são importantes, apenas sinta os ventos de janeiro, sinta o corpo quente nessas tardes, sinta o suor, sinta o coração acelerado e teu corpo nervoso em espasmos delicados... Sou livre... Sou o creme principal, a dor derradeira, o desejo final.




A sala vazia, o quarto vazio, a vida vazia... Assim, às vezes vejo tudo a minha volta. Será que ainda estarei aqui, quando você voltar? Será que nossas horas irão trazer algum tipo de satisfação? No fundo todas as noite são vazias, todas as camas são vazias, toda a permanência é vazia... Sinto os ventos de janeiro, sinto teu corpo nervoso em espasmos delicados... Será que sou livre? será que sou o medo derradeiro?  E agora? O que virá depois? O que importa? Deixa mensagem na secretária... Apagarei amanhã, quando acordar. Para depois me arrepender e correr de novo ao teu encontro... Não sou mais livre... Não sou mais eterno... Não sou mais tudo o que sempre quis.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Diante do Mar Por Simone Bertrand & Mento Leão

E ela não precisa de mais nada para se fazer entender... Tão jovem a menina e já tão senhora de seu destino. Ele a olhou fixamente... Não tinha nada mais a dizer. Ponto. A noite tudo parece mais simples, mais selvagem... Mais perigoso. Então ela disse: "Agora só faltam as escadas e a cozinha..." O que a vida nos reserva? Será que realmente alguém se preocupa com o que virá amanhã ou depois? Eu não pareço temer nada quando estou ao teu lado, você bem sabe quando olha dentro de meus olhos. Mas não sou doce... Nem tão pouco cereja, não sou rosa... Nem tão pouco lís. Estamos apenas aqui por volta da meia noite brincando de ser feliz.




E As palavras fogem, o ar se torna rarefeito e de súbito um torpor invade o momento. Ela está aqui do lado, posso sentir o coração batendo acelerado... Posso ver o mar e teus olhos velados. Ela não precisa de mais nada para se fazer entender. Ela está pronta...Ela sempre esteve... Agora é partir... simples assim.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Une Poésie Sauvage Por Simone Bertrand & Mento Leão

"Notre corps en sueur sur le plancher ... la poésie comme quelque chose de sauvage 
Et vous, aussi belle et intense ... comme si nous étions sur notre premier voyage"

Tuas marcas em meu corpo serão carregadas para sempre. Disse ele quase em tom de brincadeira. Mas eu sabia que ele estava falando a verdade, ao menos, desta vez.  -  Apenas, não quero mais falar nisso agora, pode ser? Sempre do mesmo jeito, sempre com a mesma distância, apenas em breves momentos consigo alcançá-lo para em seguida perdê-lo novamente... E esse jogo de gato e rato alimenta as almas e a maioria dos pensamentos que nos faz sobreviventes de nossos dias entediantes. As marcas estão por todos os lugares... Relaxe, aproveite... Essas notas dissonantes jamais serão as mesmas depois de "nossos corpos suados espalhados pelo chão... como uma poesia selvagem" estiverem exauridos...


"E você tão bela e intensa, como se estivéssemos em nossa primeira viagem." E quem precisa do sol? Quem precisa das estrelas agora? Apenas você basta, como em uma poesia selvagem... O que mais preciso é o que mais me desgasta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mentiras por Enquanto by Catherine Dorléac & Mento Leão

Ando cansada, nem ando mais, na verdade. Parei, encostei a verdade. Descansei de tua agradável companhia que me faz de tola todo santo dia. Cansei do meu rosto, de meus olhos te seguindo os passos, te cansando os ouvidos com as mesmas histórias que a muito já contavam os meus pares e eu ainda as repetia... Incansável, insaciável. E quando chegava o dia... Apenas a minha companhia dançando em volta do telefone esperando você chamar. Quer saber? Cansei de ti também, das palavras, do silêncio, do barulho, cansei de ti! Chega! Não quero mais te ouvir... Saber como estás com quem andas, com quem vais para a cama, cansei de te chamar ou esperar dançando em volta do telefone, madrugada a dentro... Esperando, sentindo teu perfume nos cantos do apartamento. Tua voz, da última vez, quase parecia o vento, quase me tirou para dançar na rua, enquanto chovia, enquanto se ouvia sirenes e gritos... Na madrugada fria...Teus passos já não deixam marcas, tudo passa, tudo tem um fim.  Só que cansei por hoje, cansei por ti, cansei de ti... Sei...cansei de mim. 


Fica com tua verdade, então, eu já tenho a minha. Nada mais a dizer, nada mais a fazer. Ante as chamas, hoje, pálidas, só restam escombros, agora, nada mais a erguer. E que os teus dias sejam repletos de dor, de cansaço. Mesmo que por ai, ainda veja tua dileta cor, teu inebriante  perfume... Sei que somos mentira, enquanto amantes, enquanto nota dissonante. Então apenas me deixe ir em paz... Não me fala, não me escreva, não me faz... O que nunca te fiz... Quero apenas descansar, dormir... O sono dos justos. E acordar um pouco menos infeliz... Quem sabe no século XXI em fim!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Alma Faminta Por Simone Bertrand & Mento Leão

Não quero nada, mas quero tudo.
Não crio expectativas, mas espero que aconteça. Ou não...
Fico chateada, mas sinto alívio.
Sorrio, mas fico preocupada.
Não sei o que quero, só sei que quero. 
Gosto do efeito que você tem sobre mim

                                  

"Apenas sei que essa angustia é passageira.
Mas imprescindível ao se caminhar.
Sem ela você não será... Apenas passará."
Ela tem razão a paixão vem da alma...Mas é que as palavras ficam brincando na minha cabeça... Às vezes elas vem rápidas e cintilantes,
Outras vezes elas me fazem de bobo, me tiram do sério... Para depois irem embora como se nada tivesse acontecido. 
Mas ela tem razão a paixão vem da alma... 
Não precisa dizer mais nada... 
Apenas exista! você já preenche a vida, dá sentido as palavras, exala o perfume da saudade,  alimenta esta alma faminta. 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cafés na Cama Por Catherine Dorléac & Mento Leão

E então, você me promete proteção... Como se eu precisasse encontrar o meu chão, como se eu precisasse  de um novo coração. Afiadas, tuas palavras cortam o frio da madrugada, cortam  também a pessoa amada, mas a ti o que importa? Tu continuas sempre na mesma balada, sempre no mesmo insuportável ritmo de outono. O que você faria se eu realmente acreditasse na tua oferta de proteção? Para onde iria o último menestrel, o último Dom Quixote? Quem haveria de ser teu Sancho Panza? Teu fiel escudeiro? Sei bem o que tu queres... Sei bem a quem tu procuras... E essa não sou eu... Não mais serei eu. Chega! Sou o que sou , vivo pelo que vivo e de ti não quero mais do que me é de direito: Brahms e café da manhã com três ou quatro ovos sem sal e inteiros na caçarola.


E teus cafés da manhã sempre estarão a te esperar. Sem cobranças pelas noites felinas, sem interesse pelos templos divinos, apenas desejando teu bem... Pois assim tem de estar minha musa... Sempre bem! E tu sabes a noite todas as cidades são iguais, todos os gatos são pardos, toda a dor é passageira...Por que, então as palavras  pesam tanto? Por que, então a vida parece ser tão cruel? O que quero de ti? Que sejas forte, que sejas livre e que um dia lembres de mim. Do que foi minha simpatia, do que foram meus cafés da manhã.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SEMPRE HAVERÃO PARTIDAS E CHEGADAS Por Catherine Dorléac & Mento Leão

A dor de milhares de anos... Resumida ali, naquela menina, naquela mulher. As linhas de seu rosto bem marcadas provavam que ela sofrera muito mais que seus anos de vida. Ainda tão nova e tão carregada de símbolos. Gostaria, ela, de ir para a Lua, de visitar as estrelas, ou melhor, de voltar para casa. Cada segundo passado entre aqueles idiotas fazia dela apenas mais um pedaço de carne a venda. Ela tivera seus dias de glória, mas tão menina e já estava provando o sabor do fracasso. A impossibilidade de ser ela mesma, mas ela continuava lutando, continuava tentando. Não haveria outra saída. Ela queria apenas descansar, deixar-se levar pelas águas do rio, voltar para o mar. Voltar para casa. Mas este rio não corre para o mar, esta vida não significa mais nada para eles. Abra bem os olhos, menina... Teus dias, em fim chegarão e então poderás dormir.


A dor de milhares de anos, de todas as putas, de todas as mulheres que não recebem para ir para a cama, mas de tão idiota que é seu companheiro deveriam receber pensão do governo. A dor de milhares de anos, de todas as mulheres traídas, de todas as mulheres mal amadas, de todas as mulheres esquecidas, que apanharam, que foram abandonadas... Chega! Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas” Hoje é o último dia desse verão absurdo... E que a vida nos traga o que há de melhor, pois estamos partindo!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O QUE MAIS...? Por Catherine Dorléac

E teu medo é meu escudo. Não há nada que me faça voltar antes do amanhecer... O mistério que me cerca não é mais nem menos do que eu sou na verdade... O que mais pode ser dito? O que mais pode ser feito. Os dias passam, as horas me afetam, a solidão no meio da multidão me fascina e no fim sou apenas eu mesma comigo mesma...Não, você não saberá, você não viverá para isso... Você me traiu, uma vez, você me traiu outra e mais outra vez... Eu, que me coloquei em tuas mãos, me permiti... Ousei... E você o que fez? Tuas belas palavras estão sempre lá, prontas para seduzir, para corromper os corações puros, as almas perdidas... Vejo que elas servem apenas de alimento para tua fome insaciável, para o teu desejo dionisíaco por celebração, pela ética do prazer absoluto. O que mais... O que virá depois? Vou dormir o sono dos justos... essa noite não há outro lugar onde eu queira estar além da minha cama. Amanhã? Bem, amanhã é outro dia... Vamos a praia... Vamos ver o sol renascer, vamos celebrar...Vamos... O que mais... pode ser feito?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

TERCEIRA CARTA Por Mento Leão & Catherine Dorléac

Não motivos para comemorações...nossas vidas estão paradas feito automóveis próximos a um acidente. Nossos mundos estão em rota de colisão... Não temos mais forças para enfrentar o nosso dia a dia. As horas, sei bem o que estão nos fazendo. Já não sei o que se passa com meu coração... Já não sei o que se passa com teu coração. Somos afetados pela luz, somos afetados pela escuridão... Não temos escolhas, não temos opção. Tudo em volta esta desmoronando...você não percebe? Fomos um golpe de sorte do destino, um breve deslize dos deuses, que percebendo seu momento de fraqueza, corrigiram-se a tempo. E nós ficamos aqui a beira do caminho... Em frente a imagens distorcidas pela velocidade... Procurando pela paz interior, pelo equilíbrio distante, pela razão ausente... Não, não há motivos para comemorações.



Tenho medo de ti...de tua visão clara e ao mesmo tempo cega... perfurante,  agressivamente desconcertante... Eu, que fechei meus olhos e mergulhei no meio da noite escura... No meio da solidão eterna sem ter certeza de nada, sem saber o destino... Apenas pela possibilidade de ter você ao meu lado... Estou me perdendo... Tenho medo de mim... Mas nada vai me tirar a certeza momentânea da dúvida... O que seria de mim sem ela? Minhas muralhas continuam de pé! Toque sua trombeta... Passe os dias diante de mim com este som monocórdico. Nada é o que parece; não aqui, não está noite. Comece a ter medo, pois eu sei que não há motivos para comemorações, mas também sei que não há motivos para que o meu coração perca a paz !

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

SEGUNDA CARTA Por Mento Leão & Catherine Dorléac

E, então ela chegou de mansinho e disse quero ficar aqui no meu canto, minha cama é meu reino. Chega, parei contigo. Parei... Comigo. Vou dormir o sono dos justos ao menos uma noite, ao menos uma vez na vida. E que meu telefone emudeça que minha boca silencie está noite. As estrelas serão a minha rota, meu plano de sonho, meu plano de fuga. A dor não me alcançará; você não me alcançará... Eles não me alcançarão. Aguarde, vou voltar. E que as horas que tanto mal me faz e os dias que tanto me consomem possam em fim descansar... De mim... Esquecer-se de mim... Está noite quero ser arrebatada, quero ser anunciada, quero ser Maria, quero ser Madalena, está noite quero ser eu mesma... Quero dormir... Apenas!


Eu quero e vou conseguir me livrar de tudo que você representa... Todo o medo, todo o perigo... Que minhas muralhas continuem muralhas...E que pessoas como você fiquem apenas tentando arranhá-las. Não quero as músicas antigas, não quero os versos antigos, não quero amores antigos, não quero os vícios antigos.  Ainda resiste o cigarro, mas mesmo ele tem seus dias de glória contados. Não, não quero mais me entreter, quero a vida e muito mais do que já recebi... quero você... mais uma mentira criada por mim e que é chegada a hora fechar os olhos para nunca mais te ver!

domingo, 19 de dezembro de 2010

PRIMEIRA CARTA Por Mento Leão & Catherine Dorléac

19/12/2010


Haveremos, então de ver através de dois pares de olhos, haveremos de acreditar, sim, que é possível vencer a dor...ela que é companheira inseparável das horas belas e melancólicas... precisa saber que não precisamos mais dela, não hoje, não esta noite... temos vinho, temos a lua... temos as estrelas cadentes, temos o mar e a brisa que vem suave avisar que tudo é possível. E enquanto a canção estiver tocando, a felicidade se fará presente pois essa é a função da música... bálsamo, feito palavras simples, feito saudade, feito a bela da tarde.


Belos pares de olhos, olhos de botão
so conseguimos vencer a dor quando dormirmos... Sim é possivel vencer essa dor que machuca... Mas quando eu escuto aquela musica... me afundo e desapareço como pó, como cinzas de um corpo; aquele corpo que foi jogado no mar.... No meio da lua.
Aquela lua, que vendo a bella se  entristeceu
e chorou... Não, homem dos olhos verdes, estás errado...Aquele vinho era meu sangue, a lua ja estava comigo entristecida... Aquela musica...
quero ser uma linda estrela cadente...
feche os seus olhos e faça um pedido .......

sábado, 18 de dezembro de 2010

TERCEIRA CARTA Por Catherine Dorléac & Mento Leão

15/12/2010

Você nunca me amou, nossas vidas eram vazias sujas de horror, eu era um anjo adormecido. Não aguentava mais suporta tantas mentiras... Todo sonho e pesadelo foi embora,
como a lua cheia que tanto amava, você vai embora... Vou te dizer o que sinto...
Você conseguiu me fazer feliz por muitos anos... Me fez sentir tão bem... Me sentia tão acolhida nos seus braços, seus olhos verdes diziam tanta verdade, você me olhava de dentro pra fora, viu os meus medos agora vou morrer de novo
Vou cortar suas assas, não vai voar... Vai ficar aqui!
vai viver o meu o pesadelo! 
você acabou, com o pouco que tinha de mim... Arrancou o ultimo pedaço do meu coração
agora vou sobreviver assim... 
sempre com medo! 
sempre com medo.
Não tenha medo, vamos nos afogar nesse lago profundo
ele perdia perdão...
Ele não sabia, mas eu era o pesadelo dele... Não sabia o que fazer...
Tinha tanta pena daquela alma, merecia uma chance?
estava adormecida por tanto tempo!!
ele me acorda e me tira o coração, já partido cheio de tanta tristeza, esse homem que dizia que me amava e que o mal não ia mais voltar.
costurei  as assas daquele homem... Ele foi embora quase caindo,
havia amor em mim.. 
vou dormir na lua e lá vou chorar por milhões de anos.
vou fazer companhia para todas as estrelas... para todas as almas que ja se foram como a minha!



E então você diz que vai dormir na lua... .meu anjo adormecido que tem como jornada encontrar os corações perdidos, alimentar as almas solitárias com sua presença. Lembras quando estiveres indo dormir que não mais razão para o medo. Nunca houve... sofrer faz parte da jornada, sem ele não alcançaríamos o nirvana. Sou necessário para ti, tanto quanto uma flor do campo. Você precisa de mim tanto quanto eu preciso de ti...disse ele antes dela partir mais uma vez... fica a saudade e a esperança da volta...ela sempre volta, pois no fundo o porto de sua jornada passa por mim.